quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

David Bowie-Low


Para muitos o melhor álbum dos 70.O primeiro dos três discos que fazem parte da trilogia de Berlim de David Bowie e oprimeiro de uma série de colaborações com Brian Eno.O álbum reflecte o estado de espiríto do seu criador que em parte se devia ao consumo de drogas,muitas das canções reflectem o estado depressivo,letargico e auto-destructivo em que Bowie se encontrava.
Numa tentativa de voltar ao normal ,Bowie junta-se ao amigo Iggy Pop em Berlim Leste,capital europeia da droga nesta altura.
Low foi contudo em grande parte concebido em França nos estúdios Château d'Herouville,onde Bowie e Tony Visconti convenceram Carlos Alomar,Dennis Davis e George Murray a aderirem ao Krautrock produzido na altura pelos Kraftwerk,Neu! e Cluster.
O álbum foi um registo diferente para a época ,no lado A estavam músicas pequenas e directas e no lado B músicas longas e instrumentais,neste lado B Bowie têm a colaboração de Eno (ex-teclista dos Roxy Music),Eno foi de facto responsável por parte da segunda parte do disco e compôs Warszawa enquanto Bowie estava em Paris,Eno foi ajudado pelo filho de 4 anos de Visconti que se sentou ao lado de Eno tocando os acordes A,B,C num loop constante de piano,quando Bowie regressou escreveu a letra para a música . A seguir segue-se uma breve introdução a cada música.


Speed Of Life-que maneira brilhante de iniciar um disco.Música claramente instrumental,a música conta com David Bowie na guitarra eléctrica ,George Murray no baixo e Dennis Davis na bateria,a música contêm também synths tocados por Bowie e Eno.Abre com uma batida de bateria forte ,um baixo consistente e um rasgar da guitarra eléctrica antecedidos previamente por sons sintetizados...

Breaking Glass -esta música foi escrita por Bowie,Murray e Dennis Davis.A letra é introspectiva e negra como seria de prever nesta fase.
Abre com com uma batida forte de bateria,um baixo elegante e uma guitarra a guinchar,segue-se a entrada dos teclados e posteriormente a entrada da guitarra ritmica .
Conta com Bowie na voz e como lead guitar,com Carlos Alomar na guitarra ritmica ,Dennis Davis na bateria ,George Murray no baixo e Eno nos sintetizadores.

What in the World-A música fala de uma das muitas personalidades da Bowie.
A entrada da música dá-se com a batida da bateria,o baixo e o sintetizador dão vida a uma música bem como as guitarras que arranham o ouvido.
A música conta com o uso de sintetizador e grandes técnicas de gravação.
A música conta com Bowie na voz e lead guitar,Carlos Alomar na guitarra ritmica,Murray no baixo,Davis na bateria ,Eno no synth e Peter Himmelman no piano.
A guitarra ritmica pode-se ouvir a partir da entrada da música ,bem como a lead guitar(Bowie),o baixo , a bateria e o synth.
Aos 24 segundos é audível o piano que faz com que a música ganhe dimensão...
Aos 48 segundos surge um solo de guitarra de Bowie ,bem acompanhado por Alomar na guitarra ritmica.
Lá para o fim surge a voz de Iggy Pop como backing vocals,a primeira música do disco com assinatura funk.

Sound and Vision-A entrada da música dá-se com a bateria de Dennis Davis,Carlos Alomar surge como Lead guitar numa música com raízes country em que a sua guitarra dá um toque calmo à música,George Murray surge no baixo que entra com um ritmo funk exactamente ao mesmo tempo em que entra a guitarra de Alomar e o synth de Eno e o de Bowie.A voz de Bowie surge aos 45 segundos .O saxofone tocado por Bowie surge ao minuto 1.21 ,lá para o fim surge a voz da mulher de Tony Visconti.
A música têm uma letra influenciada claramente pelo consumo de droga.


Always Crashing in the Same Car-a letra expressa a frustracção por cometer sempre os mesmos erros.
O primeiro som a entrar é o som do synth de Eno seguido da guitarra de Alomar(efeitos) e do baixo de Murray.
A bateria de Davis entra também na mesma altura que o baixo e a guitarra .O piano(Roy Young) entra aos 4 segundos ,a música é claramente feita a partir dos sons de synth,bateria e baixo.
Um solo de guitarra feito por Bowie entra ao minuto 1.09 e é com este solo que a música ganha chama.Ao minuto 2.26 a guitarra ritmica acompnha o solo feito por Bowie na lead guitar.
A música relembra o acidente de moto de Dylan e Bowie presta homenagem tentando imitar a maneira de cantar de Dylan.

Be My Wife-Com Alomar a fazer as honras de abrir a música com a sua guitarra, ele que nesta música faz solos perfeitos ,nesta música é inclusivamente o Lead Guitar,e com Roy Young a segui-lo no piano(bem bluesy) bem como Davis na bateria , Muray no baixo e Bowie a entrar com a voz e no synth,aos 26 segundos pode-se ouvir claramente um solo de Alomar.O baixo é claramente audível a partir dos 10 segundos.
Bowie é audível no seu saxofone a acompanhar a guitarra de Alomar no minuto 1.37 a 1.45 .

A New Career in a New Town-instrumental que é uma peça magnifica!A música é baseada na bateria de Davis e no synth de Eno,aos 35 segundos a música ganha vida com o baixo de Murray,mas principalmente com um dos solos mais lindos de harmónica que já ouvi,a harmónica dá uma vida à música e um contraste entre a banda eléctrica e a banda acústica ,é possível ouvir também a guitarra de Alomar a produzir efeitos e a acompanhar o baixo.
A harmónica faz desta música uma peça de arte.
Realce também para os synths.

Warszawa-música feita por Eno com letra de Bowie.
Evoca a desolação de Varsóvia aquando da visita de Bowie à cidade.Todas as vozes são de Bowie apesar da presença de 110 vozes,a música é toda feita à base do synth de Eno e por um Chamberlin(que é um teclado electro-mecânico "filho" do Mellotron)tocado também por Eno e por Bowie.Os Joy division chamavam-se originalmente Warsaw em tributo a esta música que figura no filme Control.

Art Decade-o nome da música é baseado numa rua da Berlim Ocidental.A música é baseada na percussão e no uso de um vibraphone ,bem como de um Xilofone que pode ser ouvido claramente a partir dos 10 segundos,também é usado synth ao longo da música.

Weeping Wall -Bowie toca todos os instrumentos nesta música começando pelo audível Xilofone,acabando nos vibrophones e nos synths.Esta música é bastante depressiva ,conta também com um rugido de guitarra tocada por Bowie.

Subterraneans-a linha de baixo característica de Murray que atê arrepia o mais insensível ser à fase da Terra é um dos primeiros sons desta música bem como o som dos synths usados por Eno e Bowie que arrepiam o mais comum dos mortais, o saxofone jazziríco de Bowie surge logo a abrir a música aos 7 segundos.O saxofone é bem audivel ao minuto 1.06 como um lamento.
Bowie toca um saxofone que invoca a miséria da Berlim Oriental,as vozes de Bowie e Eno arrepiam e tornam a música depressiva,ao ponto de não se aguentar quase ouvir a música atê ao fim.Aos 3.08 surge o saxofone de Bowie enaltecendo uma tristeza enorme.
Foi nesta música que Thom se baseou para construir Kid A e Amnesiac.

Um álbum magistral.10 em 10!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Bob Dylan-Bringing It All Back Home


Talvez a pedra mais preciosa de Dylan,Dylan avançava à velocidade da luz com a sua música e montado na sua mota e nas suas letras de encantar. Este álbum é o primeiro grande pecado de Dylan,será que Dylan vendeu a alma ao diabo para escrever assim as suas letras?
No lado A temos Subterranean Homesick Blues com Dylan na sua poderosa guitarra acústica e acompanhado da sua harmónica contundente,o título alude ao livro "notas do Submundo" de Fédor Dostoievski . As primeiras linhas da música contêm referências a Lsd,a música fala sobretudo dos direitos civis americanos e do medo da guerra do Vietname,a música contêm também um piano muito característico dos primordios do blues ,um baixo melodioso e uma bateria suave e é bastante influênciada por Chuck berry.
"She belongs to Me"-é uma excelente canção de amor,com a guitarra acústica de Dylan, uma guitarra eléctrica tocada por John Hammond Jr e uma bateria suave a acompanhar,a harmónica é bastante suave e nada agressiva.
"Maggie's Farm"-é uma sátira social e segue a estrutura base de um blues,segundo muitos é a critica e declaração de independência de Dylan relativamente ao movimento folk,a música fala do sistema opressivo em que o folk se tornou,esta foi a canção que deu origem à controvérsia do Newport Folk Festival 1965,esta música têm acompanhamento de teclas,guitarra eléctrica ,bateria,baixo e Dylan na sua guitarra e na sua harmónica que soa punjente e poderosa,na versão de Newport a contorvérsia deveu-se principalmente a Mike Bloomfield na guitarra eléctrica que produziu a primeira nota como um rugido dos céus e esta nota foi a nota mais alta tocada atê então.
"Love Minus Zero/No Limit"-melodia tocada pela guitarra acústica de Dylan , acompanhada por uma guitarra eléctrica , um baixo e a harmónica de Dylan,cheia de metafóras a melodia é muito simples!
"outlaw Blues"-indescritível e esmagadora!!!As guitarras eléctricas cortantes ,a harmónica do diabo ,o piano com muito bluesy e uma bateria suave ,nesta música Dylan está afastado da sua harmónica e o baixo é quase inaudível!
"On the Road Again"-harmónica e um baixo perfeito a iniciar a canção seguido de uma guitarra bem bluesy e de um ritmo de bateria a acompanhar.
"Bob Dylan's 115th Dream"-uma viagem pelo mundo surreal de Dylan,descreve um sonho que Dylan teve com Captain Ahab ,é provavelmente uma das letras mais engraçadas que já vi e uma história cantada,acompanhada pela guitarra de Dylan (com um pouco de harmónica),piano ,baixo ,guitarra e uma bateria calma aqui está um pouco da letra:
Well, the last I heard of Arab
He was stuck on a whale
That was married to the deputy
Sheriff of the jail
But the funniest thing was
When I was leavin' the bay
I saw three ships a-sailin'
They were all heading my way
I asked the captain what his name was
And how come he didn't drive a truck
He said his name was Columbus
I just said, "Good luck."

"Mr. Tambourine Man"-que dizer desta música???Na música Dylan toca a guitarra afinada em D,com um capo no terceiro trasto, a música têm um acompanhamento de guitarra eléctrica e uma harmónica deliciosa de Dylan,quem será o Mr .Tambourine???Muitos afirmam que será Jack Elliot pela maneira com que Dylan o acompanhou,outros afirmam ser o ídolo de Dylan Woody Guthrie,mas alguns dizem ser este homem Bruce Langhorne que tocava um tambor com uns sinos no seu interior que fazia lembrar o som de uma pandeireta aqui está o link do pssível Mr.Tambourine: http://www.brobrubru.com/brucelanghornemusic/BLanghornePix.html...
"Gates of Eden"-esta letra é uma letra cifrada sobre os trabalhadores...com Dylan na guitarra e harmónica.
"It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)"-melhor canção do disco, a guitarra de Dylan parece possuída pelo diabo e parece ganhar vida à medida que Dylan canta ,parece um som saído da garganta de Dylan,é principalmente a letra de um homem de esquerda contra a guerra , a politíca de direita dos Estados Unidos , o capitalismo e a diferença entre a classes trabalhadores e a burguesia,seria durante anos um hino aos trabalhadores e à classe operária!!!A maior letra de Dylan!!!Para mim Dylan esta letra é a voz dos trabalhadores das minas do Minnesota cá está a letra:
Darkness at the break of noon
Shadows even the silver spoon
The handmade blade, the child's balloon
Eclipses both the sun and moon
To understand you know too soon
There is no sense in trying.

Pointed threats, they bluff with scorn
Suicide remarks are torn
From the fool's gold mouthpiece
The hollow horn plays wasted words
Proves to warn
That he not busy being born
Is busy dying.

Temptation's page flies out the door
You follow, find yourself at war
Watch waterfalls of pity roar
You feel to moan but unlike before
You discover
That you'd just be
One more person crying.

So don't fear if you hear
A foreign sound to your ear
It's alright, Ma, I'm only sighing.

As some warn victory, some downfall
Private reasons great or small
Can be seen in the eyes of those that call
To make all that should be killed to crawl
While others say don't hate nothing at all
Except hatred.

Disillusioned words like bullets bark
As human gods aim for their mark
Made everything from toy guns that spark
To flesh-colored Christs that glow in the dark
It's easy to see without looking too far
That not much
Is really sacred.

While preachers preach of evil fates
Teachers teach that knowledge waits
Can lead to hundred-dollar plates
Goodness hides behind its gates
But even the president of the United States
Sometimes must have
To stand naked.

An' though the rules of the road have been lodged
It's only people's games that you got to dodge
And it's alright, Ma, I can make it.

Advertising signs that con you
Into thinking you're the one
That can do what's never been done
That can win what's never been won
Meantime life outside goes on
All around you.

You lose yourself, you reappear
You suddenly find you got nothing to fear
Alone you stand with nobody near
When a trembling distant voice, unclear
Startles your sleeping ears to hear
That somebody thinks
They really found you.

A question in your nerves is lit
Yet you know there is no answer fit to satisfy
Insure you not to quit
To keep it in your mind and not fergit
That it is not he or she or them or it
That you belong to.

Although the masters make the rules
For the wise men and the fools
I got nothing, Ma, to live up to.

For them that must obey authority
That they do not respect in any degree
Who despise their jobs, their destinies
Speak jealously of them that are free
Cultivate their flowers to be
Nothing more than something
They invest in.

While some on principles baptized
To strict party platform ties
Social clubs in drag disguise
Outsiders they can freely criticize
Tell nothing except who to idolize
And then say God bless him.

While one who sings with his tongue on fire
Gargles in the rat race choir
Bent out of shape from society's pliers
Cares not to come up any higher
But rather get you down in the hole
That he's in.

But I mean no harm nor put fault
On anyone that lives in a vault
But it's alright, Ma, if I can't please him.

Old lady judges watch people in pairs
Limited in sex, they dare
To push fake morals, insult and stare
While money doesn't talk, it swears
Obscenity, who really cares
Propaganda, all is phony.

While them that defend what they cannot see
With a killer's pride, security
It blows the minds most bitterly
For them that think death's honesty
Won't fall upon them naturally
Life sometimes
Must get lonely.

My eyes collide head-on with stuffed graveyards
False gods, I scuff
At pettiness which plays so rough
Walk upside-down inside handcuffs
Kick my legs to crash it off
Say okay, I have had enough
What else can you show me?

And if my thought-dreams could be seen
They'd probably put my head in a guillotine
But it's alright, Ma, it's life, and life only.


"It's All Over Now, Baby Blue"-grande música para fechar o disco.